Clarismundo, carente…

Autor: Fausto Brites

Clarismundo, corpo calejado, coração contristado, caminhava cabisbaixo. Choro de Crescêncio, criança carente, comprometida com céu, corroía coração. Coitado! Culpado? Capaz de conseguir comida? Capaz de conseguir carinho? Comovia coração, clara e constantemente cada clamor: “Clarismundo, criança carece comida!”. Cremilda chorava, criticava, clamava.

Cidadão? Como cidadão? Cadê carteira carimbada “contratado”? Cadê construção civil? Cadê comida?

Clarismundo chora. Crescêncio clama

Casas cerradas, cavalheiros culpando crise.

Comprar carro, colégio caro, capitalizar, conseguem.

Censuram Clarismundo.

Culpado! Capataz de cometer crime? Cruz, credo! Cristo, conduza Clarismundo.

Cidade continua comprometida com cotidiano.

Clarismundo continua comprometido com comida, com choro, com Crescêncio.

Comida cavalheiros! Crescêncio carece comer. Cadê compaixão?

Cansado Clarismundo? Continue caminhando. Crie coragem!

Cristo conseguiu chegar ao Calvário com coragem. Conseguirá como Cristo.

Cristo, com a cruz, cansou. Continuou, chicoteado, corpo coberto com chagas, cuspido. Cruficado!

Clarimundo é Cristo? Continue… Continue. Conseguirá comida, carinho? Calma!

Começou cair como? Clarismundo conhece cruzada: construíram “castelo”, conseguiram crise. Construíram “celeiros”, conseguiram corrupção. Consequência: como cidadão, Clarismundo conheceu carências, choro, culpas. Cedeu à crise. Caminha cotidianamente “caçando” comida.

Chove.

Clarismundo calado, continua caminhando. Comida? Como conseguir? Cada canto concebe compaixão? Clarismundo cético.

Chove. Chuva condoída de Clarismundo.

Cessa chuva. Cessa choro de Crescêncio.

Crescêncio, criança carente, chega ao céu. Cansou de clamar: comida! comida!

Clarismundo cansou como Cristo.

Compaixão? Cadê?

Crlarismundo chora…copiosamente.