Azambuja assume o comando da direita em MS e deixa bolsonaristas da primeira hora para trás

O ex-governador Reinaldo Azambuja chega à atual disputa eleitoral em uma posição que poucos políticos conseguiram alcançar em Mato Grosso do Sul: a de principal liderança da direita no Estado. Mais do que surfar na onda bolsonarista que ganhou força nos últimos anos, Azambuja construiu sua trajetória com base em mandatos, alianças e experiência administrativa. Agora, no PL, o ex-tucano amplia seu espaço e se apresenta como uma liderança capaz de reunir diferentes correntes do campo conservador.

Um dos movimentos que reforçam essa posição foi o encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao sentar-se com Bolsonaro, Azambuja recebeu o aval político para assumir a presidência do PL em Mato Grosso do Sul, movimento que teve peso simbólico e prático dentro da reorganização da direita no Estado. O gesto mostra que o ex-governador não apenas ingressou no campo bolsonarista, mas passou a ocupar um espaço de comando dentro dele.

A diferença está justamente aí. Enquanto muitos políticos surgiram ou ganharam projeção aproveitando a onda bolsonarista, Azambuja já possuía uma carreira consolidada antes dela. Foi prefeito de Maracaju, deputado estadual, deputado federal e governador por oito anos, acumulando experiência administrativa e uma rede política que atravessa diferentes grupos. Ao receber o referendo de Bolsonaro e assumir o comando estadual do PL, conseguiu juntar o capital político construído ao longo de décadas com a força eleitoral do bolsonarismo.

O movimento acaba desbancando boa parte daqueles que chegaram à política embalados exclusivamente pela onda Bolsonaro. Azambuja passa a reunir experiência, estrutura partidária, mandato político acumulado e o respaldo do principal nome da direita brasileira. Em Mato Grosso do Sul, o cenário indica que a direita começa a ter um novo centro de gravidade: não mais apenas quem surfou a onda, mas quem conseguiu transformar essa onda em liderança política própria.