Mistura de povos e diferentes culturas ajudaram a construir a identidade de Campo Grande

Reportagem publicada no dia 25/08/2020 pelos 121 anos de Campo Grande no site do deputado estadual Coronel David pela jornalista Bruno Aquino, uma das assessoras na Coordenadoria de Comunicação do parlamentar. Na foto acima

Campo Grande em sua característica histórica possui a população mais diversificada do Estado. Oriunda dos povos migratórios que escolheram o município para fixar raízes e gerar descendentes, contam a história da Cidade Morena que completa nesta quarta-feira (26), 121 anos de emancipação política. 

As famílias colonizadas, como as paraguaias e japonesas – considerada as mais populosas- bem como as portuguesas, libanesas, italianas, bolivianas, espanholas e turcas, mantém suas tradições sem deixar de lado o coração de ser  campo-grandense. 

Uma das colônias mais conhecidas é a paraguaia. Com a chegada das famílias ainda na década de 60 quando não havia divisão do Estado, muitos paraguaios vieram à cidade fugindo das perseguições políticas e da ditadura, mas também em busca de trabalho digno projetando um futuro melhor para criarem seus filhos e netos.  

Posteriormente já na década de 60, os paraguaios fundaram a associação cultural Brasil x Paraguai que só em 1973, as famílias Lugo, Quevedo, Pereira, Romero e outras, aperfeiçoaram a ideia e construíram a Casa Paraguaia de Campo Grande, grande espaço atualmente localizado no bairro Vila Pioneira que neste ano passou por mais uma reforma, como conta o atual presidente da associação, Albino Romero. 

O espaço sempre foi designado ao exercício da cultura paraguaia, na dança, música, comida típica e cursos de idioma como o Guarani para descendentes que sempre procuraram estar interligados com sua origem, porém nunca deixando de lado a essência de ser campo-grandense.  

Em Campo Grande, moram aproximadamente 100 mil famílias paraguaias e descendentes, segundo levantamento do Consulado Geral do Paraguai e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Para Albino Romero, a cultura está inserida no coração do município pela boa culinária (como a sopa paraguaia, a chipa) e na boa qualidade de mão de obra. “A importância do povo paraguaio está claramente comprovada em tudo, principalmente no mercado de trabalho. Temos bons alfaiates, barbeiros, comerciantes e bons advogados. Somos um povo alegre e feliz, andamos sorrindo o dia todo, somos pessoas trabalhadoras, leais e honestas”, conta. 

JAPONESES

Outro grupo com boa representatividade na cidade são os japoneses. Com aproximadamente 12 mil japoneses e descendentes, segundo a Associação Esportiva e Cultural Nipo Brasileira, a colônia japonesa é muito rica e a comunidade conta com duas associações que são responsáveis por manterem as tradições: sendo a própria Nipo, que agrega todas as províncias do Japão e a Associação Okinawa. 

Os primeiros imigrantes a se estabelecerem em Campo Grande, no ano de 1914, foram as famílias de operários na construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil, que liga Bauru a Porto Esperança. Em 1918 preocupados com a educação de suas crianças, as próprias famílias de japoneses, fundaram a Escola que  hoje, leva o nome de Visconde de Cairu e em seguida a Associação Nipo Brasileira que já completou 100 anos de fundação. 

Segundo o presidente da Nipo, Nilson Tamotsu Aguena, os descendentes fazem questão de manter as principais tradições culturais e desportivas, como a prática do karatê, tênis de mesa, Undokai e Bon Odori. Além de profissionais que atuam no mercado nas mais diversas áreas de serviços essenciais na cidade. 

“A população de Mato Grosso do Sul deve ser muito grata às contribuições de povos vizinhos, principalmente do Paraguai e da Bolívia na formação de sua cultura, mas os descendentes de libaneses, italianos, portugueses e japoneses trouxeram de seus países costumes, tradições, crenças e alimentos que tem ajudado na criação de sua identidade”, conta. 

O sobá – ensopado de carne (bovina e suína), verduras, ovo,molho shoyu e o gengibre  é o exemplo mais característico da cultura japonesa. Eleito pela própria população, o prato que representa o município foi inicialmente comercializado  numa barraca da feira livre, expressão máxima da participação dos japoneses na cultura campo-grandense.

O município também foi um dos importantes núcleos de imigrantes de Okinawa, que chegaram à região atraídos pelos bons trabalhos. Foi por conta disso que 75 japoneses aceitaram trabalhar no assentamento dos trilhos da estrada no então Estado do Mato Grosso. Para o presidente da Associação Okinawa, Eduardo Kanashiro, a prática dos costumes, e a divulgação dos esportes e a boa culinária é a forma de manter viva a cultura japonesa.“Campo Grande é uma cidade miscigenada, e cada colônia, tem a sua parcela de contribuição cultural dos atrativos da cidade, o que fomenta o turismo. O costume japonês já está enraizado na vida do campo-grandense”, finaliza.  

 Festival Bon Odori- Foto: Associação Nipo Brasileira  

Texto: Jornalista Bruno Aquino